quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Corinthians Campeão e a escolha do número 4 em 1982

Descobri a paixão pelo Corinthians em 1982. É o primeiro título que me recordo e que acompanhei. Minha primeira vez no Pacaembu havia sido em 1979, em um jogo contra a Portuguesa. Fiquei na torcida da curvinha, misturado com torcedores da Lusa. Aquilo parecia um sonho. O estádio era enorme. Conduzido pela minha mãe e meu padrasto, via tudo como algo surreal.

Tinha apenas seis anos de idade e já tinha visto meu primeiro jogo. Esta, aliás, é minha primeira lembrança da infância. Mas, voltemos ao ano de 1982 e ao título corinthiano. O time comandado por Sócrates, Wladimir e Casagrande superou o São Paulo de Valdir Peres, Oscar, Serginho Chulapa e Dario Pereira, pelo placar de 3 x 1.

Minha rua era infestada de são paulinos, muitos. A maioria deles meus amigos: Walter, Pio e os gêmeos Mauro e Sérgio. Todos eles ostentavam as camisas oficiais do tricolor. E eu, mal tinha uma camiseta com o símbolo da escola.

No horário do jogo, 16h, não se via uma alma viva na rua. O Paulistão valia muito naquela época, o equivalente ao Campeonato Brasileiro de hoje, ou mais. Pois bem, o Corinthians vencia por um a zero, gol de Biro-Biro. De repente, uma falta da intermediária para o time do Morumbi. Getúlio ajeitou e soltou o pé. A bola quicou à frente do goleiro Solito e sobrou para o uruguaio Dario Pereyra empatar.

O São Paulo precisava vencer o jogo para ser o campeão daquele ano e, portanto, aquele empate era fundamental. Na comemoração, Dario saiu correndo feito um louco pelo meio do gramado. Pulava, erguia os braços, gritava à exaustão. Naquele momento em que a câmera flagrou o número 4 de sua camisa, não tive dúvida. Usaria este número por todos os times que jogasse na várzea.

Após o gol de Casagrande e a consagração corinthiana, todos saíram de suas casas para os comentários a respeito do jogo. Os adultos batiam boca de um lado e molecada não cansava de jogar bola do outro.

Como disse anteriormente, meus amigos eram todos são paulinos e, naquele dia, decidimos que montaríamos nosso primeiro time de rua. O Walter tinha a camisa de goleiro e os outros três de jogadores de linha. Faltava o quinto elemento, eu.

Mas, usar uma camisa de outro clube naquele tempo já não algo me fazia feliz, de forma alguma. Falei com a minha mãe sobre a compra da camisa e ela disse que eu deveria achar uma réplica, que custasse muito menos do que as originais dos meus amigos.

Na rua de cima da minha casa, aos sábados, tinha feira livre e uma série de barracas que vendiam roupas. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com uma camisa com listras verticais em vermelho, preto e branco e, para minha felicidade, sem o símbolo do São Paulo.

Desci correndo para casa e falei com minha mãe. “Mãe, achei a camisa. Custa muito barato. Compra mãe, compra”? E como exigir que, naquele momento, ela teria o dinheiro para comprá-la? Pior, domingo iríamos jogar contra um time de outra rua, nosso primeiro desafio.

Ela concordou. Mas, para mim, ainda faltava a cereja do bolo. E o número? Jogar com uma camisa lisa? Nem pensar. “Mãe, falta só mais um pouquinho para o número”. Dona Joaquina me fitou com os olhos e disse: “Chega. Toma aqui. Vai lá e compra essa bendita camiseta e o número”.

Feliz da vida, cheguei ao dono da barraca juntamente com os meus amigos e comprei a camiseta. Andei mais três passos e achei o número 4. Pronto. Ainda que não fosse oficial, pelo menos, o número do Dario ela teria que ter.

No domingo, pontualmente às 11h, chegou o adversário. Vieram em seis. Alguns maiores do que a gente, o que não nos assustava. De repente, as calçadas começaram a encher de gente para torcer pelos meninos da Miguel Helou, o time da casa.


As partidas não eram cronometradas. Virava 6 e acabava 12, sem limite de tempo, mesmo que durasse horas. O jogo começou e a gente sentiu o baque. Estávamos mais preocupados com nossos uniformes do que com o jogo em si. Mas, a torcida fez a parte dela. Perdíamos na virada por 6 x 4. Na retomada, algo diferente aconteceu. Mesmo no asfalto, Walter pegava tudo. Cabia os demais fazerem a sua parte. Fizemos. Viramos a partida e vencemos por 12 x 6. Nossos irmãos, parentes e amigos fizeram a festa. Além do jogo, Itubaína para os vencedores. 

A partir de então, em todos os times em que joguei e jogo, o número 4 está presente.

Inesquecível. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Marcos Forte Filho

Lá se vão pouco mais de 20 anos. O tempo passou depressa demais e daquela criancinha linda, gorducha e com um sorriso maravilhoso, sobraram apenas as lembranças. Um passado não tão distante, que hoje, me fez voltar a escrever sobre você.

Como nos amamos, nos divertimos, sorrimos, brigamos, brincamos e nos confidenciamos ao longo desses anos. Passamos momentos maravilhosos, aprendemos muito um com o outro. Sim, vários contratempos também. Como não? Afinal, não o criei para baixar a guarda, porém, não precisa andar sempre com ela alta, ok?

Vi seus primeiros passos, ouvi suas primeiras palavras. Participei do seu primeiro chute na bola, da sua primeira festa infantil. Vi sua adolescência complicada, raivosa, estranha. Por outro lado, vi o surgimento de um rapaz bonito, forte, alegre, determinado, com um coração maior do que seu orgulho.

É provável que esta época tenha sido a melhor e pior ao longo da nossa convivência. Tive medo que os “dois corações e uma história” se rompesse de vez. Mas, o Fábio Jr., nessas horas fez toda a diferença.Não foram poucas as vezes em que te ouvi, emocionado, cantarolar a música “Pai”, em minha homenagem.

Como todo pai eu sei que falhei. Muito. Acertei muito também. Estive presente e ausente. Sorri e sofri ao seu lado e longe de você. Perdi o momento mais importante da sua vida, e espero ter sido o último que não tenha visto de perto.

Pois bem. De bebê a adolescente. De adolescente a homem. De homem a pai. De pai a pai de família.

Filho, que esta nova etapa de sua vida seja repleta de alegria, felicidade, saúde e, principalmente, de muita sabedoria. Ao longo dos anos que virão, você terá que conviver com um mundo completamente diferente e cheio de surpresas. Apesar dos esforços de todos ao seu lado, este momento será todo de vocês três.

A fé que carregam dentro do coração deverá ser, e será muito maior do que qualquer força externa que possa lhes tirar o caminho da felicidade. Tenho absoluta certeza disso.
Marcos, Naiane e Príncipe Arthur desejo toda a felicidade do mundo a vocês.
Beijos,


Pai, sogro e avô!!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Pais, filhos, vida....

Interessante ver como o tempo passa e não nos damos conta disso. Curioso ver como nossos filhos crescem e, quando percebemos, lá estão eles, ao seu lado, curiosos, famintos por histórias de vida e sedentos por também contá-las.

Sempre fui muito crítico dos meus filhos, acredito que, desta forma, eles terão um olhar mais amplo sobre o mundo e sobre tudo aquilo que os cerca. O que nunca imeginei foi o fato de eles me ensinarem, com toda a inocência, como a vida pode ser algo engraçado.

Ao me deparar com tal situação fiquei intrigado e, ao mesmo tempo, feliz em saber o quanto cresceram e se tornaram meus amigos, além de filhos, é claro. Com eles, percebi que as madrugadas podem ser extremamente engraçadas, emocionantes, diferentes e singulares.

A história é sempre a mesma: basta uma palavra para que o início de um diálogo logo se transforme em horas de gargalhadas, lágrimas, broncas dos dois lados, histórias emocionantes e uma cumplicidade que me fascina.

Falamos sobre tudo: Deus, família, escola, passado, presente, futuro, sexo, drogas, música e amor. Afinal, o que sabemos sobre tudo isso? Muita coisa e, ao mesmo tempo, nada. São três mentes com pensamentos parecidos, mas, longe de serem unânimes em qualquer um desses assuntos.

Enfim, este texto serve somente para que, nós pais, saibamos a importância que temos na vida dos nossos filhos e, principalmente, da importância que eles sempre terão na nossa.


Esqueça um pouco que é pai, mãe, avô, madrasta, padrasto e seja um pouco mais amigo dos seus filhos. Converse, fale muito e ouça mais ainda. Vocês irão se surpreender com que o que ouvirão e o bem que faz tê-los por perto.  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Filhos: nem sempre o melhor remédio é a proteção


No último final de semana, durante as provas do Enem, uma mãe denunciou a filha por ter obtido uma resposta de maneira ilícita, através do celular.

A pergunta é: quantos pais teriam feito o mesmo?

A resposta é uma incógnita, mas adianto, seriam poucos. Pais, em sua maioria, tendem a proteger demais os filhos em qualquer situação. Mesmo quando este comete um deslize.

Não sou a favor disso. Acredito que, mostrar os defeitos do mundo, e esconder os dos nossos filhos, além de não ajudar em nada, atrapalha a formação do caráter. Não existe um deslize menor ou maior, deslize é deslize.

A simples tentativa de levar vantagem em algo pode fazer com que a criança cresça com este instinto. E isso, não é bom. A partir do momento em que os pais sabem do delito, devem tomar uma atitude enérgica e, se for o caso, punir na mesma medida.

Aprender a ser responsável desde cedo faz com que a criança aprenda a valorizar todas as questões que envolvem caráter e sociedade. Direitos e deveres. Ela deve se sentir protegida, mas deve saber também que, ao sair da linha, não contará com a anuência dos pais. Desta forma, ela terá que pensar muito antes de qualquer ato.

O que não podemos é imaginar que, ao passarmos a mão em suas cabeças ou mesmo deixarmos de lado pequenos deslizes, os protegeremos do mundo. Pelo contrário, criaremos pessoas com caráter degenerado e que se acharão sempre acima do bem e do mal.