quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Jogadores brasileiros desconhecem Hino Nacional

Desde 1958, o mundo sabe, que o Brasil é o país do futebol. Inegavelmente. Mesmo após o fiasco da Copa de 2006, ainda sim, estamos muito à frente dos nossos adversários.

Mas o que sempre me chamou a atenção foi o fato de que os nossos jogadores não conhecem a letra do Hino Nacional. O que digamos é vergonhoso.

Me lembro bem, do Dr. Socrátes, naquela maravilhosa seleção de 1982, era um dos poucos jogadores que cantavam na íntegra o hino. Então, imagino que, essa falta de conhecimento, deve vir desde os tempos do Zagalo, 1954.

Nas transmissões de hoje, a cerimônia é sempre a mesma. Os times entram em campo, alguns atletas dão entrevistas e lá vão todos eles perfilarem-se para a execução do hino.

De repente, a surpresa. Camêra vai, câmera vem, e o que vemos são rostos assustados com a proximidade dela. E tudo por que?

Porque eles simplesmente não sabem o que fazer, afinal de contas, desconhecem a letra.

Alguns ainda esboçam um movimento labial, que normalmente nada tem a ver com a composição. Outros olham para o outro lado, simulam concentração para o jogo, tudo para disfarçar a falta de conhecimento.

Tomemos como exemplo, "nuestros hermanos" sulamericanos. Eles não cantam o hino do seu país, eles berram. Sabem a letra de cor e salteado, de trás prá frente e dão exemplo de civilidade.

Em São Paulo, a coisa vai de mal a pior. Uma lei obriga a execução do hino antes de cada competição oficial, realizada dentro do estado. Domingo, durante a transmissão de Corinthians e São Paulo, foi possível contar os jogadores que acompanhavam a música.

Rogério Ceni e Richarlyson, ambos do São Paulo. São Caetano e Ponte Preta, jogo realizado no sábado, nenhum jogador cantou. Santos e Bragantino, também no domingo, só o goleiro Fábio Costa, do Santos. Um absurdo.

Mas o fato não se restringe apenas aos jogadores que atuam no Brasil. Nos jogos da seleção dificilmente vemos alguém, além de Dunga e Zé Roberto, que nem anda sendo convovado, acompanhar a letra.

Já que os clubes criam cartilhas com regras para os jogadores, acho que nela devia conter um livreto com a letra do Hino Nacional.

Com certeza seremos o país do futebol por anos e anos. Mas, em termos de amor à pátria e aos valores nacionais, ainda estamos muito distantes do resto do mundo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

3ª Festa do Ano Novo Chinês

Hoje, no bairro da Liberdade, em São Paulo, aconteceu o último dia de comemorações do Ano Novo Chinês. 2008, pelo calendário chinês, é o ano do rato. Segundo as tradições é um ano de abundância, de realizações de projetos e de muitas oportunidades de crescimento pessoal.

Estive lá e acompanhei de perto uma intensa movimentação. Lojas e ruas cheias, pessoas de todas as idades, de todas as tribos, de todos os cantos da cidade e até do exterior. Um verdadeiro choque de culturas.

Uma das coisas mais interessantes que notei foi a diferença de velocidade dos orientais em relação à nós, os ocidentais. Enquanto vivemos freneticamente, ansiosos, correndo o tempo todo, eles são calmos, falam baixo e têem um olhar que transmite serenidade, calma e paz.

Em meio às lojas e ruas cheias é possível observarmos japoneses e chineses andando calmamente, como se cada passo dado tivesse que ser vivido plenamente. A impressão é que para eles o mundo gira muito lentamente.

Numa das lojas que entrei encontrei uma família muito simpática. Conversei por alguns minutos com a Teresa, 60 anos, dona da loja. Uma mulher bonita, muito bem vestida e de uma educação singular.

Além dela, o Sr. Katisujiro Osaka, 96 anos, seu pai, também estava na loja. Imigrante japonês chegou ao Brasil no início do século, em Santos.

Ela conta que ele fez de tudo um pouco pelas cidades que passou, e olha que não foram poucas. Santos, Ribeirão Preto, Juquiá, entre outras. O Sr. Osaka trabalhou na plantação e colheita de chá, também foi carvoeiro, além de trabalhar na plantação de bananas.

"Ele come muita banana", conta Tereza. "Talvez esteja aí o segredo de tanta vitalidade", finaliza orgulhosa, citando o ótimo estado de saúde do pai.

Muitos produtos importados podem ser encontrados no comércio local. Desde simples pedras até os mais variados trabalhos manuais. Desde um chaveiro até o que há de mais novo em tecnologia. A culinária é um caso à parte, mas, me atendei aos sorvetes de palito.

Uma novidade com a qual eu não esperava esbarrar. Vários sabores, importados da Coréia, podem ser encontrados em praticamente todas as lojas. Eu recomendo o de melão. Sim, de melão. Tem um sabor leve e completamente diferente dos tradicionais sorvetes brasileiros.

Outra curiosidade são os sabonetes com fragrâncias de frutas. Uva, morango, pêssego, laranja, limão. O cheiro é extremamente agradável e suas embalagens, muito bem boladas, chamam muito a atenção.

Umas das atrações mais procuradas foi a estátua viva. Com uma produção digna de elogios chamou muito a atenção de todos. A cada moeda recebida, ela fazia um gesto muito suave e, dava a cada contribuinte, um papel, uma espécie de "recado da sorte".

Infelizmente, não consegui uma foto do dragão. A aglomeração de pessoas à sua volta impossibitou a captura de sua imagem.

A organização do evento está de parabéns. Tudo muito bem organizado, nenhum tumulto ou confusão foram registrados. A festa acabou, mas, as lojas e a cultura estão lá diariamente.

Vale a pena conhecer.

Local: Av. Liberdade
Estação Liberdade do metrô

Feira livre: pastéis e encontros

As feiras livres estão por toda parte a semana inteira. Pergunto a vocês: - Existe pastel melhor do que os da feira? Ainda não encontrei.

Feira livre é um grande barato. Em todas elas, o discurso dos feirantes é o mesmo, desde outros tempos. Frases feitas que nunca saem de moda: mulher bonita não paga, mas também não leva, olha a laranja... docinha, docinha, venha experimentar freguesa, e por aí vai.

Por parte das freguesas, a reclamação é sempre a mesma: tudo está caro. Mas, lá vão elas, com as sacolas nas mãos, pechinchar.

As negociações são sempre muito engraçadas. O feirante diz que tudo aumentou, a senhora diz que o salário do marido não. É uma discussão sem fim.

Sacola cheia, ou quase, é hora do bendito pastel e do caldo de cana. Os tradicionais ainda são os de maior sucesso, mas, algumas novidades estão entrando no mercado. A feira próxima à minha residência aposta na audiência das novelas para lançar seus novos sabores.

Cabocla? Celebridade? Isso lá é nome de pastel? Não sei se a coisa pegou. Frequento regularmente a mesma barraca a anos e, sinceramente, ainda não ví nenhum consumidor pedindo qualquer um deles. Não sei se moda vai pegar. O Mauro, japonês dono dabarraca, garante que é sucesso.

Outro detalhe nas feiras livres, é a possibilidade de toparmos com algumas figurinhas carimbadas da nossa infância e adolescência. Aquele seu amiguinho que cresceu, casou, mudou de casa, pode estar nessa mesma feira, uma professora do primário, que hoje já uma senhorinha, entre outros.

E o que acontece? Vocês param, começam a conversar, e histórias do fundo do baú vêm à tona.
Particularmente, não sei o que mais me atrai numa feira. Se o pastel, se as negociações ou se os possíveis encontros com algumas pessoas que fizeram parte da minha vida.

Hoje foi um desses dias. Ricardo Coutinho de Souza, a última vez que o vi foi antes da minha formatura, em 1992. Quase 16 anos. Hoje, ele está casado, tem uma filhinha linda, engordou um pouco, ou foi bastante? Isso não importa.

Um bate-papo rápido, pouco mais de 10 minutos, foi o suficiente para relembrar grandes momentos.

A feira livre é isso, pastel, caldo de cana, pechinchas e um bom local para se tentar a sorte de matar a saudade de alguém.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Debate no MASP sobre a cidade de São Paulo

Estive ontem à noite, no MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Av. Paulista, para assistir ao debate realizado pela Folha de SP, Motivos para gostar ou não de São Paulo, em comemoração aos 454 da cidade. Participaram do evento, o ex-ministro da Fazenda e Delfin Netto e os colunistas Gilberto Dimenstein, Danuza Leão e Bárbara Gancia, todos do caderno Cotidiano do jornal.

Na verdade, não chegou a ser um debate, e sim, um bate papo bem descontraído, com muitas histórias, sugestões para melhoria da cidade e uma boa dose de bom humor, principalmente, por parte de Bárbara Gancia, que muitas vezes roubou a cena.

Os principais temas abordados foram: educação, segurança, as grandes diferenças sociais e o contraste entre a São Paulo dos anos 50 e a de hoje. O ex-ministro Delfin Netto era o mais saudoso e, por diversas vezes, lembrou sua infância no bairro do Cambuci.

Naquela época, conta o ex-ministro, “a gente empinava quadrado e caçava pardal. Hoje, a nossa juventude vive dentro de casa, não existem mais brincadeiras como antigamente”. Para Defim, a internet e a violência são os principais motivos para que isso aconteça.

Bárbara Gancia falou muito sobre o Itaim e, em como a sociedade mobilizada, pode fazer diferença nas decisões sobre os problemas que atingem os bairros da capital. Há alguns anos, ela foi vítima de seqüestro, e hoje, procura realizar as tarefas do dia-a-dia sem se distanciar muito de sua residência.

“O sequestro até que me ajudou. Eu adorava a noite, era uma boêmia, mas hoje, evito sair muito de casa”, contou ela.

A carioca Danuza Leão disse que pouco sabe sobre São Paulo. “Todas as vezes que venho à cidade é a trabalho, sobra pouco tempo para conhecê-la mais profundamente”. Segundo ela, a metrópole respira trabalho e as pessoas estão sempre muito apressadas. “No Rio, eu ando. Em São Paulo, mesmo de táxi, eu corro. A cidade não pára”, diz.

Para a colunista, a elite paulistana é cafona. “As pessoas enriqueceram depressa demais, mas, o bom gosto, não acompanhou esse enriquecimento.”

O mais animado, em relação à cidade, era Gilberto Dimenstein, aliás, dele, é a segunda palestra da qual eu participo. A primeira foi a dois anos, na PUC, também em São Paulo, no lançamento do seu livro “O mistério das bolas de gude”.

Gilberto falou muito sobre a cidade de Nova York e como o prefeito Rudolph Giuliani, com a política do “Tolerância Zero”, minimizou o problema da violência por lá. Segundo dados, hoje, a cidade tem o mesmo número de homicídios dos anos 60, ou seja, 1.600 por ano.

Para ele, é possível fazer o mesmo com a nossa cidade. “Eu acredito nas pessoas e no que elas podem fazer para melhorar a condição de vida dentro dos grandes centros”, completou.

A formação do cidadão como um todo e também a educação nas escolas públicas é outro fator que incomoda a sociedade e também os convidados. Para Delfim Netto, a sociedade está evoluindo, mas, para que possamos ver mudanças profundas, teremos ainda, que aguardar um bom tempo.
Ao final do debate, questionados sobre como estará a cidade daqui a 50 anos, todos foram unânimes: “Melhor”.

Eu, como paulistano que sou, também espero e acredito nisso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Uma bola, um sorriso

O que você faria ao se deparar com uma criança, em frente a uma loja, olhando uma série de bolas expostas na vitrine?

Pois bem, foi isso o que vi e, naquele momento, me senti um Papai Noel em pleno mês de janeiro. Estava a procura de uma bola para um menino que completava 3 anos naquele dia.

Quando cheguei na loja, um menino de 7 ou 8 anos, olhava com uma cara triste para aquele monte de bola e, quando me viu, fez o seguinte comentário: - Tio, as bola tão cara, né?

Aquilo me partiu o coração. Entrei na loja, comprei a bola para o aniversariante e quando saí, ví o menino sentado na calçada, completamente desolado.

Não pensei duas vezes. Chamei o garoto para dentro da loja e perguntei: - Serve qualquer uma? Estou sem dinheiro, mas se você quiser uma bem simples, eu compro.

Seus olhos brilharam e ele disse: - É só para ter o que chutar tio. Qualquer uma serve.
Comprei-lhe a bola. Mais do que depressa ele me agradeceu e saiu com a bola pelas ruas. Com um sorriso que me fez ganhar o dia.

Esqueceu até de dizer o seu nome, tamanha foi a empolgação. Mas isso não importa, tenho certeza que hoje ele deve ter feito muitos gols com ela.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Futebol, camisas e publicidade

No último final de semana tivemos a segunda rodada do mais baladado e caro campeonato estadual do país, o Campeonato Paulista. Duas coisas me chamaram a atenção: a primeira foi o fato de nenhum centroavante dos quatro times da capital terem balançado as redes, depois de terem feito a festa na rodada de abertura; a segunda foi a camisa do Palmeiras.

Bem, o fato de os nossos goleadores não fazerem gols na rodada eu compreendo, mas a Suvinil, que pagará R$ 3,5 mi por ano ao Palmeiras, não pode aceitar uma camisa que esconde a sua marca, em vez de mostrá-la. A publicidade nas mangas da camisa alvi-verde simplesmente não aparece, salvo quando algum jogador levanta os braços ou efetua uma cobrança de lateral.

Num esporte em que cada vez mais as empresas investem para fortalecerem as suas marcas, uma camisa como a do Palmeiras, é um tiro no pé. Outros clubes, como São Paulo, Grêmio, Inter entre outros, possuem publicidades bem visíveis nas mangas de suas camisas.

Talvez seja imposição da Adidas, fornecedora de material esportivo, que tenha sugerido a publicidade abaixo das três listras, e não no meio delas, para não desconfigurar a sua.

De qualquer forma, ficou bem esquisito, afinal de contas, é ou não para mostrar a logomarca?

E depois falam que os portugueses é que são burros.