quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Debate no MASP sobre a cidade de São Paulo

Estive ontem à noite, no MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Av. Paulista, para assistir ao debate realizado pela Folha de SP, Motivos para gostar ou não de São Paulo, em comemoração aos 454 da cidade. Participaram do evento, o ex-ministro da Fazenda e Delfin Netto e os colunistas Gilberto Dimenstein, Danuza Leão e Bárbara Gancia, todos do caderno Cotidiano do jornal.

Na verdade, não chegou a ser um debate, e sim, um bate papo bem descontraído, com muitas histórias, sugestões para melhoria da cidade e uma boa dose de bom humor, principalmente, por parte de Bárbara Gancia, que muitas vezes roubou a cena.

Os principais temas abordados foram: educação, segurança, as grandes diferenças sociais e o contraste entre a São Paulo dos anos 50 e a de hoje. O ex-ministro Delfin Netto era o mais saudoso e, por diversas vezes, lembrou sua infância no bairro do Cambuci.

Naquela época, conta o ex-ministro, “a gente empinava quadrado e caçava pardal. Hoje, a nossa juventude vive dentro de casa, não existem mais brincadeiras como antigamente”. Para Defim, a internet e a violência são os principais motivos para que isso aconteça.

Bárbara Gancia falou muito sobre o Itaim e, em como a sociedade mobilizada, pode fazer diferença nas decisões sobre os problemas que atingem os bairros da capital. Há alguns anos, ela foi vítima de seqüestro, e hoje, procura realizar as tarefas do dia-a-dia sem se distanciar muito de sua residência.

“O sequestro até que me ajudou. Eu adorava a noite, era uma boêmia, mas hoje, evito sair muito de casa”, contou ela.

A carioca Danuza Leão disse que pouco sabe sobre São Paulo. “Todas as vezes que venho à cidade é a trabalho, sobra pouco tempo para conhecê-la mais profundamente”. Segundo ela, a metrópole respira trabalho e as pessoas estão sempre muito apressadas. “No Rio, eu ando. Em São Paulo, mesmo de táxi, eu corro. A cidade não pára”, diz.

Para a colunista, a elite paulistana é cafona. “As pessoas enriqueceram depressa demais, mas, o bom gosto, não acompanhou esse enriquecimento.”

O mais animado, em relação à cidade, era Gilberto Dimenstein, aliás, dele, é a segunda palestra da qual eu participo. A primeira foi a dois anos, na PUC, também em São Paulo, no lançamento do seu livro “O mistério das bolas de gude”.

Gilberto falou muito sobre a cidade de Nova York e como o prefeito Rudolph Giuliani, com a política do “Tolerância Zero”, minimizou o problema da violência por lá. Segundo dados, hoje, a cidade tem o mesmo número de homicídios dos anos 60, ou seja, 1.600 por ano.

Para ele, é possível fazer o mesmo com a nossa cidade. “Eu acredito nas pessoas e no que elas podem fazer para melhorar a condição de vida dentro dos grandes centros”, completou.

A formação do cidadão como um todo e também a educação nas escolas públicas é outro fator que incomoda a sociedade e também os convidados. Para Delfim Netto, a sociedade está evoluindo, mas, para que possamos ver mudanças profundas, teremos ainda, que aguardar um bom tempo.
Ao final do debate, questionados sobre como estará a cidade daqui a 50 anos, todos foram unânimes: “Melhor”.

Eu, como paulistano que sou, também espero e acredito nisso.

Nenhum comentário: