sábado, 15 de março de 2008

O jardineiro e a flor

Numa casa, no interior de São Paulo, havia um jardim enorme. Cheio de flores. Todas, aparentemente, muito bem cuidadas. Exceto uma.

Enquanto todas as outras se divertiam, contavam histórias, essa pequena flor assistia a tudo sem entender muito o porquê de tanta alegria.

Até que um dia apareceu em frente ao portão da casa, um jardineiro procurando emprego. A dona então, o contratou para cuidar de seu quintal.

Ele dava atenção a todas as flores – rosas, margaridas, orquídeas – sem exceção. Mas, uma em especial, chamou sua atenção. A pequena flor, apesar de forte e saudável, não conseguia prosperar. Suas folhas nunca estavam completamente verdes.

O que fez ele então? Acolheu-a. Se dedicou como nunca a tal plantinha. Regou, adubou, podou seus galhos fracos e apodrecidos.

Com o tempo ela ficou robusta. Já sorria. Sua alegria era contagiante e, todas à sua volta acabaram enciumadas. Não entendiam os cuidados especiais que recebia.

A mudança foi tamanha. Suas folhas verdes resplandeciam e faziam brilhar ainda mais aquele imenso jardim. Após o renascimento, ela começou a perceber que as demais não eram assim tão perfeitas quanto imaginava.

Os sorrisos, as piadas, as histórias contadas, não eram assim tão verdadeiras. Havia uma falsa impressão de felicidade entre elas.

Ddias, os meses e anos se passaram. Enquanto as outras plantas se esbaldavam em uma rede de falsidade, a plantinha se tornava cada mais independente. Sua vida dependia só de si. E é claro, do jardineiro.

Num belo dia, ao amanhecer, o bom jardineiro não apareceu. O que, para todas, não fez a menor diferença. Mas à “renovada planta”, sim.

No dia seguinte, nada de ele aparecer. E assim foi. Ele simplesmente sumiu.

É claro que todas as plantas questionaram a plantinha: “E agora? O que você vai fazer da vida sem o seu fiel escudeiro?” “Não era você quem dizia que era feliz? E que ele cuidaria sempre de você?”

Ela estava sozinha. Solitária. Sem saber para onde correr. E uma dúvida não saía de sua cabeça. Uma pergunta sem resposta.

Para que me curaste quando estava ferido? Se hoje, me deixa de novo, com o coração partido?

Um comentário:

Anônimo disse...

Chapa, não se esqueça de uma coisa: os casos, os amores, vem e vão...em intensidades diferentes, é claro, mas nunca se esqueça que os amigos são para sempre...Bola pra frente, o jardim tem que continuar dando novas raízes...Abraço!!!