sexta-feira, 14 de março de 2008

Um ótimo papo: Luis Fernando Veríssimo

Sempre um papo. Assim é chamado o evento que ocorre toda semana no Sesc Vila Mariana. E ontem, a presença de Luis Fernando Veríssimo, abrilhantou ainda mais o bate-papo.

Com uma voz calma e uma inteligência rara, o cronista e escritor, deu uma aula de simpatia. Citou alguns de seus personagens mais famosos e nos brindou com muitas histórias e muito senso de humor.

A começar pelo Analista de Bagé, uma de suas mais famosas criações. Segundo Veríssimo: “quem nasce em Bagé é muito macho, até viado, em Bagé, tem que ser macho”.

Quando questionado sobre o porquê de matar algumas de suas crias, como a Velhinha de Taubaté, ele foi direto. “Matei, porque o personagem foi criado ainda na ditadura militar, e ela sempre acreditou no Governo. Mas, ao ver o que aconteceu no governo Lula, principalmente, o que fez o Ministro Palocci, ela não resistiu. Tive que matá-la”.

Gaúcho, Veríssimo foi muito cedo para os Estados Unidos e lá aprendeu a gostar da cultura local. Foi intimado pelos pais a ir para a escola sem saber uma palavra em inglês. “Aquilo foi violência pura”, brinca. “Sou um gaúcho diferente. Como cresci fora do país, nunca experimentei chimarrão”.

Durante a conversa, falou muito sobre a importância dos livros em sua vida. Autodidata, jamais gostou de estudar. “Eu era um péssimo aluno”, comentou.

A respeito de suas criações: livros, crônicas, cartoons etc, disse que, muitas vezes, começou a história de uma forma e teve que alterá-la completamente no decorrer do caminho. Para ele é incomum ter um roteiro ou uma história pronta para por no papel.

Torcedor fanático do Internacional de Porto Alegre garante que, o gol mais importante da história do clube, não foi o de Adriano, na final do Mundial Interclubes, contra o Barcelona. E sim, o gol de Figueroa, em 1975, na final do Brasileirão daquele ano.

Emendou, ainda, algumas histórias bem humoradas: “Quando fui para o Rio, fui para conquistar minha independência financeira. Crescer na carreira. Não fiz uma coisa e nem outra. No fim das contas acabei casando. Até porque, quando estamos completamente perdidos, a primeira coisa que fazemos, é casar”.

Casado, pai de três filhos, Veríssimo é uma daquelas figuras carimbadas. Carismático, de bem com a vida e muito tímido.

Valeu a pena sair de casa com garoa e tudo. O Sempre um papo, ontem, foi um ótimo papo.

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