sábado, 19 de abril de 2008

O caso Isabella e a violência doméstica

Nas últimas semanas presenciamos um show em todos os veículos de comunicação sobre o caso da menina Isabella. As informações chegam em tempo real e a todo momento, um verdadeiro Big Brother.

Neste caso, especificamente, a imprensa cumpre o seu papel e transmite todas as informações possíveis sobre o ocorrido.

Mas, aqui, cabe a pergunta: E se Isabella não tivesse sido jogada do sexto andar do prédio e, conseqüentemente não tivesse morrido? O que aconteceria ao pai e à madrasta?

Com certeza, nada!!! Porque a violência doméstica, aquela praticada de pais contra filhos, dificilmente é notificada. Simplesmente não aparece em qualquer tipo de mídia.

A sociedade e a imprensa, em geral, acham normal que os pais tenham direito de bater para educar. Então esse tipo de violência é acobertado por todos.

Um vizinho que escuta os gritos de uma criança sendo espancada pelos pais não toma nenhum tipo de atitude, não denuncia, pois acha que não tem nada a ver com aquilo. Um mãe que vê seu filho ser abusado sexualmente pelo pai ou padrasto e nada faz para impedí-lo.

Diariamente, crianças apanham, são violentadas, castigadas e seus agressores ficam impunes. Tudo porque, ainda hoje, muitas pessoas acham que a família é sagrada e ninguém pode interferir no seu dia-a-dia e na sua maneira de viver.

Quantas vezes andamos pelas ruas e vemos um pai ou uma mãe baterem em seus filhos sem uma causa aparente? O que fazemos quando isso acontece diante dos nossos olhos? O que fazemos? Intervimos ou calamos, fingindo que não aquilo não é da nossa conta?

Somos ou não responsáveis pela onda crescente de violência?

Estamos nos acostumando a conviver de tal forma com a violência que já não damos tanta importância a ela. Somente de tempos em tempos, quando acontece uma tragédia como a da menina Isabella é que nos damos conta do nível de agressividade em que vivemos.

Balas perdidas, violência nas escolas, contrabando de drogas, corrupção em todas as esferas dos governos espalhados pelo país e, principalmente, a impunidade, tornaram-se banais no nosso cotidiano.

Somos passíveis diante de tais fatos. Incapazes de praticarmos denúncias contra a “família”. Esse núcleo fechado que age conforme seu humor. Que abusa do seu direito de serem pai e mãe fazendo com que seus filhos tornem-se vítimas de sua violência.

Muitas vezes justificadas com a expressão: “O filho é meu, eu faço o quiser com ele. Você não tem nada com isso”.

É preciso agir. Denunciar os maus tratos. Acabar com a história de que “um tapinha” para educar é necessário. É coisa nenhuma. Se não estão preparados para serem pais, não o sejam.

Assim não terão que descontar suas frustrações, suas brigas, suas bebedeiras, seus ciúmes e, principalmente, sua total incapacidade de educar, em cima de crianças inocentes e indefesas, que não pediram para virem ao mundo.

Quem ama não bate, educa!!!

3 comentários:

João Luis disse...

É isso aí Marcos. Nunca precisei bater em minha filha para educá-la. Acredito sempre no diálogo. E isso vale para qualquer situação. A violência - da qual nos queixamos todos os dias - não está somente nas periferias, nos presídios, no vizinho do lado. Está dentro de cada um de nós. Por isso, devemos estar sempre atentos, nos policiando. O mundo atual, com este alto nível de stress e com a rapidez com que as mudanças se sucedem, é altamente propício à manifestações solitárias de fúria. A denúncia de maus tratos à criança (e à qualquer ser humano) é fundamental para que possamos virar este jogo. E uma obrigação para nós, jornalistas.
- Acabei de ler na folha um dato alarmante: nos últimos dez anos, mais de quinhentas (eu disse, quinhentas) crianças foram mortas por familiares no Brasil. Isabella Nardoni é só a ponta de um iceberg muito maior...
Abraços
João

Juliana Petroni disse...

Marcos também deixei bem claro a minha opinião sobre esse caso no meu blog.
A falta de amor ao próximo é a única explicação para esses fatos.
Bjosss

Valdecy Alves disse...

Leia artigo que escrevi sobre a Lei Maria da Penha. A partir de entrevista da própria Maria da Penha, em 31/01/2010, que defende a existência de uma lei para prender os que ameaçam. ATESTANDO ASSIM A INEFICÁCIA DA LEI QUE LEVA O SEU NOME. Após tanta violência e mortes já em 2010. Vitimando mulheres. MAS A LEI MARIA DA PENHA REALMENTE FRACASSOU? O QUE FAZER? QUAIS E COMO OS ATORES SOCIAIS DEVEM AGIR? Leia, divulgue e comente ARTIGO DO MEU BLOG, clicando em: www.valdecyalves.blogspot.com