terça-feira, 13 de maio de 2008

O inferno ficou para trás...

Em 08 de dezembro de 2002, a cidade de São Paulo assistiu ao vivo pela televisão a implosão do maior presídio do país, o Carandiru. Palco de inúmeras rebeliões e repressões. Na mais famosa delas, 111 presos foram assassinados, em 02 de outubro de 1992.

No local foi construído o Parque da Juventude, com uma área total de 240 mil m². As lembranças do antigo presídio ficaram para trás. “O que restou do antigo Carandiru foram algumas muralhas que hoje servem como ponto turístico para visitantes, além dois pavilhões, o quatro e o sete, que foram totalmente reformados e hoje abrigam estudantes”, diz Paulo Pavan, administrador do complexo.

O Parque foi construído em três fases. A primeira delas, o complexo de quadras poliesportivas, pista de skate e patins, numa área de 120 mil m². O espaço pode ser utilizado até as duas horas da manhã. Durante o dia, professores e profissionais da área de educação física dão aulas gratuitas de futebol, basquete, tênis e vôlei.

O segundo espaço é constituído de ruas e alamedas para caminhadas. Possui bosques, árvores frutíferas e ornamentais, além de conservar uma área de mata atlântica de 16 mil m². É a chamada área central, a mais bonita do Parque, com muito verde e um visual maravilhoso.

A terceira fase e com caráter mais social é formada por uma estrutura que fornece à população programas culturais, diversos cursos gratuitos, concertos e exposições.

Os prédios reformados viraram salas de aulas, onde funcionam as ETC´s, Escolas Técnicas do Estado de São Paulo, administradas pela Fundação Paula Souza e, também, uma unidade do Acessa São Paulo, um programa do governo estadual de acesso à internet, que conta hoje com 110 computadores.

A segurança é um dos pontos positivos do local. “Aqui não permitimos o consumo de álcool e maconha. Qualquer pessoa flagrada nessa situação é automaticamente convidada a se retirar do parque”, afirma o Pavan.

De fato, andando pelas alamedas e quadras, não percebemos qualquer tipo de movimentação de pessoas suspeitas, a sensação é de muita tranqüilidade.

A proximidade com o Cingapura da Zacchi Narchi não atrapalha em nada a movimentação no parque. Pessoas de diferentes níveis culturais convivem em harmonia. “Existe o respeito entre os freqüentadores, não há espaço para discriminação, com isso todos se beneficiam”, diz o administrador.

Segundo Pavan, uma pesquisa realizada recentemente mostra que mais de 50% da população do parque tem nível universitário. “É uma mescla que dá certo”, confirma.
Interessante notar a limpeza do local. A cada 20 ou 30 metros nos deparamos com cestos de lixos, todos com placas indicando quais os tipos de detritos devem sem jogados em cada um deles, isto faz com que o lugar esteja sempre limpo.

Segurança e limpeza em um local amplo e com muita vegetação é um convite ao lazer e ao descanso. Podemos ver pessoas tirando cochilos em plena luz do dia, andando vagarosamente, lendo um bom livro ou mesmo batendo um papo.

O número de visitantes aumenta a cada ano. “Em 2006, foram 650 mil, em 2007, 1.300 mil. Para 2008, esperamos chegar a 2 milhões de visitantes”, acredita Pavan.

3 comentários:

Juliana Petroni disse...

O título é genial, espero que obras como essa sirvam de exemplo para o nosso país.
Um grande bjo

João Luis disse...

Bela reportagem Marcão. Parece que irão fazer o mesmo com a Febem do Belém. Demorou! Quanto mais parques, áreas de lazer e escolas, menos presídios teremos de construir no futuro. Parece utopia? Parece. Mas, eu continuo acreditando...
Abraços

tati disse...

Muito boa essa reportagem. É qualidade de vida! Meu sobrinho vai sempre lá jogar basquete com os amigos e faz até piquenique!ele adora!
Aquele lugar realmente deveria ter muitas energias negativas....esse parque deu uma nova cara ao lugar!!
bjoss