quarta-feira, 30 de julho de 2008

Crônica - O atropelamento

- Oi Marcos, tudo bem?

- Tudo e você?

- Tudo ótimo. Posso te fazer uma pergunta?

- Claro.

- Você por acaso não achou um par de óculos perdido lá no sítio?

- Hmmmm, sim, achei. Era seu?

- Não. Era de uma amiga. Que bom que você achou.

- Eu disse que achei, né? Mas não falei em que estado.

- Como assim?

- Na verdade, ele foi atropelado.

- Meu Deus?!?! Não brinca...

- Tô falando sério.

- Marcos do céu. Como assim atropelado?

- O coitado foi atropelado, é isso. Cheguei ao local e o vi estendido no chão. Lentes de um lado, pernas do outro.

- Não acredito?!?!

- Acredite. Eu tentei de tudo. Massagem cardíaca, respiração boca-a-boca, mas ele não resistiu.

- E agora? Como conto para minha amiga?

- Pode ficar tranqüila que eu falo com ela.

- Mas como irá contar?

- Vou dizer que ele estava andando sozinho, no meio da noite e que a rua estava escura e... e... aconteceu.

- Será que ela vai ficar chateada?

- Isso eu não sei. Mas vou perguntar para ela: “O que vale mais? Um par de óculos ou uma amizade sincera e verdadeira?”

- E se ela disser “a amizade”?

- Estamos feitos.

- E se ela falar "os óculos"?

- Eu falo para ela que não sei de nada e peço para ela te ligar. Simples assim!

- Grande amigo você, hein?

- Amigos, amigos, óculos à parte!!!