domingo, 21 de junho de 2009

Não há regras no jornalismo!

Nos últimos dias tenho prestado um pouco mais de atenção aos jornais, sites e telejornais, e verifiquei que, simplesmente não existem regras para nenhuma das mídias.

Quando entramos na faculdade somos bombardeados com uma série de leis que devem ser aplicadas aos textos jornalísticos. Curiosamente, os próprios professorem fazem justamente o contrário em apostilas que são distribuídas ao longo do ano.

Muitas dessas cartilhas contêm gerúndios e são cópias escancaradas da internet, possuem títulos com artigos etc. Também os meios de comunicação, que deveriam servir como exemplo, pecam pelo excesso de erros, textos mal escritos e não revisados, além de páginas sem nenhum tipo de padrão na internet.

Pior que isso é saber que, a partir de agora, qualquer pessoa poderá exercer a função de jornalista.

Alguns exemplos do que acontece hoje nos meios de comunicação. O jornal Lance! de quinta-feira (18/06/2009) publicou duas colunas com algumas pérolas, daquelas que entram para história.

Benjamin Back deve ser uma pessoa muito bem relacionada no meio esportivo, não há outra explicação para que ele tenha uma coluna no maior jornal de esportes do país e escreva tão mal.

Ele teve a capacidade de repetir três vezes as palavras – “e não é para menos” - em três parágrafos consecutivos. É um prodígio.

Na mesma edição, me desculpem, mas esqueci o nome do colunista, saiu a seguinte frase: “Ronaldo conseguiu prevê a jogada...”, o correto não seria prever? Acredito que o tal jornalista deva ser viciado em msn´s e orkut´s da vida.

O Jornal Agora SP cansa de distribuir artigos em suas manchetes. O editorial da Folha SP é o rei do gerundismo. Narradores de futebol então, nem se fala. No site globo.com, de hoje, havia um texto com os dois primeiros parágrafos iniciados com as mesmas palavras: A seleção brasileira entra em campo..."

Isto ocorre hoje com a obrigatoriedade do diploma. Imaginem como será daqui prá frente.

Sinceramente? Ainda não sei exatamente se existe alguma ligação entre aquilo que aprendemos na universidade com o que encontraremos nas redações.
Para mim, são duas escolas completamente diferentes. Uma, ensina o que não se usa. E a outra, derruba tudo aquilo que aprendemos.

Enfim...

8 comentários:

Anônimo disse...

Boa noite Marcos.
Olha eu não sou de registrar comentários, mas o seu texto me chamou muita atenção, quando fui ver já tinha terminado de ler, refletido e concordado 100% no que diz. É exatamente isso que acontece, talvez será que foi por isso que derrubaram a obrigatoriedade do DIPLOMA? E outra questão também, eu acho que tudo isso se resumi mesmo em uma "palhaçada" a rigorosidade que os Professores impõe sobre nós, pior é ter que se foder pra recuperar nota por causa das "exigências pessoais" de cada professor que corrige de uma forma diferente nossas matérias de classe, e se quer iremos utilizar quando estivermos na área. Claro que o erros que encontramos não justificam, mas adianta alguma coisa sairmos da faculdade com aquela rigorosidade e depois ter que virar um "pau mandado" do Editor Chefe? Mas acredito que o problema não só esta com os professores, e sim na falta de revisão dos textos dos grandes veículos de comunicação, erros grotescos por sinal. O fato é, fazer um texto "bonitinho, estruturado do jeito que aquele professor gosta" só pra ganhar nota, porque depois, quando estivermos trabalhando na área, vira tudo a casa da mãe Joana. É o que presenciamos por ai.
Abraços meu caro
Fica com Deus
Felipe Mininelli

Patrick Mesquita disse...

Marcão você sabe que isso ocorre porque não existe fiscalização dos leitores,pois aposto que se todos fossem atentos e reclamassem os jornais teriam outra postura. Mas, dar uma de "João sem braço" é muito mais muito mais fácil. Quanto ao Benja meu Deus do céu ele é terrível. Abraço.

Anônimo disse...
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Montanha disse...

Esta é uma questão crucial. Se todos colocassem em prática o que determinam em aula, os textos seriam mais agradáveis. Mas, o que podemos fazer? Absolutamente nada. O jeito é se adaptar ao estilo de cada um e tentar fazer o melhor.
Aliás, seria bom se os professores deixassem de lado a gramática "individualista" e dessem mais importância no estilo, no desenvolvimento da história, construção, idéia, pauta...Com certeza, estas cobranças nos dariam mais "tesão" na hora de escrever algo.
Como disse o Verissimo, "não podemos ser prisioneiros da gramatica...ela tem que apanhar todos os dias para saber quem manda".
Quem sabe neste segundo semestre, com todas estas mudanças, não seja alterada alguma coisa nas aulas.

Montanha

Su disse...

É Marco, infelizmente tudo isso é uma bagunça, e se não cobrarmos vai continuar mais bagunçado ainda. Devemos exigir, cobrar e trazer para a nossa realidade tudo que tem que ser feito, e não usarmos nossos vícios (errados) de escrita!!
òtimo texto!!
Abraçs

M!§§ $imPåttÿa ツ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M!§§ $imPåttÿa ツ disse...

Poxa... tenho que te informar que esse paradoxo entre o que aprendemos na faculdade e as práticas que nos deparamos no mercado não é privilégio seu.

Neste momento tbm me vejo nunca crise existencial profissional lascada... Será que tudo o que vi na faculdade era balela, apenas o mundo ideal?

Já cheguei a muitas conclusões. Uma delas é que pode caber a nós fazermos a diferença e pelo menos iniciar a mudança para o que seria "ideal". Mas ao olhar a realidade marrom e cinza, a gente fica pequeno, quase microbiano...

Bjs da mais nova jornalista [dissolver o diploma dos jornalistas era o que faltava... Brasil é isso mesmo.]

Anônimo disse...

Olá Marcos.
Eu não sou estudante de jornalismo ainda,embore eu goste muito da profissão.Mas, achei seu Blog por acaso comecei a ler seu texto e concordei plenamente com tudo o que você disse.Aliás, não é só nos jornais que vemos assustadores erros da língua portuguesa, vemos isso nos telejornais também, inclusive de emissoras importantes e extremamente renomeadas em nosso país.
Porém, infelizmente a verdade é exatamente essa que você disse, se já com a exigência do diploma vimos erros absurdos,até de escrita e fala, imagine agora com essa absurda ideia de não exigir o diploma!